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terça-feira, 24 de maio de 2011

A História de Louis Braille.

Todo mundo tem ouvido falar sobre o Sistema "Braille" para os cegos. Mas, poucas pessoas sabem porque ele é chamado Braille ou quem era Louis Braille.
Foto de Louis Braille No ano de 1812, Louis Braille era um menino.
Vivia ele em Coupvray uma pequena cidade a 40 Km de Paris-França. O pai de Louis tinha uma loja, onde se fabricavam artigos de couro. Um dia em que brincava na referida loja, tendo em uma das mãos uma sovela, instrumento cortante, caiu, enterrando a ponta do instrumento em um dos olhos. Mais tarde, contudo, tornou-se cego dos dois olhos. Embora tivesse apenas sete ou oito anos, já era obrigado a andar com uma bengala. O povo de sua cidadezinha se apiedava, quando o via tão pequeno completamente cego, seguindo seu caminho pelas ruas com uma bengala, a fim de encontrar sua direção.
Poucos anos depois Louis entrou para uma escola para cegos em Paris, Lá aprendeu a ler, isto é, aprendeu a reconhecer as vinte e seis letras, sentindo-as com os dedos. Mas as letras tinham muitas polegadas (cerca de 20cm de largura e altura). Este era naturalmente um sistema muito primitivo de ler. Um artigo pequeno enchia inúmeros livros e cada livro pesava 8 ou 9 libras (3,624 Kg a 4,077Kg). Mais tarde, Louis tornou-se professor nesta escola. Ele, todavia, ansiava por encontrar um sistema de leitura bem melhorado para o cego, mas isto não era fácil. Um dia, em visita à sua casa, ele disse a seu pai: "as pessoas cegas são as mais isoladas do mundo. Eu posso descrever um pássaro distinguindo-o de outro pelo som. Eu posso conhecer a porta de uma casa sentindo-a com a minha mão. Mas há inúmeras coisas que eu não posso ouvir nem sentir. Somente os livros podem libertar os cegos. Mas não há livros para lermos".
Um dia, porém, estava ele sentado em um restaurante com um amigo, que o ouvia ler, pacientemente, um artigo de um jornal. Este artigo era sobre Charles Barbier um capitão do Exército, que tinha um sistema de escrever, o qual podia ser usado no escuro. Ele o chamava Escrita da Noite (night-writing).
Na Night-Writing o capitão usava um sistema de pontos e traços. Os pontos e traços eram construídos no papel, assim a pessoa podia sentí-los com seus dedos. Quando Louis ouviu falar sobre isto, tornou-se muito excitado. Começou a falar e a soluçar.
- "Por favor Louis", disse seu amigo. "O que há? Todos estão olhando para você".
- "Finalmente eu encontrei a resposta para o problema do cego", disse. "Agora o cego pode ser livre".
No dia seguinte Louis foi orientar-se com o Capitão do Exército e perguntou-lhe sobre seu sistema. O Capitão explicou-lhe que usava um punção ou estilete, instrumento com ponta afiada para fazer os furos e tracinhos num papel grosso. Uma pessoa qualquer poderia sentir os furos e traços no outro lado do papel. Certas marcas significavam uma coisa, outras marcas, outras coisas. O instrumento que o capitão usava era do mesmo tipo, que o ferira quando brincava há tantos anos antes.
- "Estou certo de poder usar este sistema, disse Louis, para ajudar as pessoas cegas a ler e lhes dar livros".
Este foi um maravilhoso dia para Louis. Mais tarde ele começou a estudar este novo sistema para usá-lo com o cego.
Estudou diferentes maneiras de fazer os furos e traços sobre o papel. Finalmente, conseguiu um sistema simples, no qual usava seis furos em diferentes posições dentro deste espaço. Ele podia fazer 63 combinações diferentes. Cada combinação indicava uma letra do alfabeto ou uma pequena palavra. Havia também combinações para indicar marcas de pontuação, etc. Breve, Louis escreveu um livro usando o Sistema Braille".
Primeiramente o povo não acreditou, que o Sistema de Louis Braille fosse possível ou prático. Uma vez Louis falou diante de um grupo de pessoas. Ele lhes mostrou como podia escrever fazendo estes furos no papel quase ao mesmo tempo que alguém lesse alguma coisa para ele. Mas não lhe deram crédito. Afirmavam ser impossível fazer isso. Disseram inclusive que Louis decorava o que lhe ditavam. Em toda parte era a mesma coisa, as pessoas não acreditaram nele. Em alguns casos por uma razão ou por outra, eles não queriam acreditar. Até o Governo Francês não queria ouvir nada sobre o Sistema de Louis. Disseram que já estavam fazendo todo o possível para o cego.
Louis continuou sempre a trabalhar com seu Sistema.
Agora ele já era um homem doente. Cada ano tornava-se mais doente. Porém, trabalhava e trabalhava com seu Sistema para torná-lo melhor.
Ele construiu um Sistema de pontos para Matemática e Música. Um dia, uma moça que nascera cega, tocava piano, magnificamente, diante de um grande auditório. Todos se encantaram. Então, a moça lhes disse que não deveriam agradecê-la, por tocar tão bem. Deveriam fazê-lo a Louis Braille, só ele tornou possível o seu aprendizado e sua perfeição no piano. Ela lhes disse também que naquele momento Louis Braille era um pobre homem cansado e doente. Ele estava às portas da morte. Subitamente, depois de tantos anos todos começaram a se interessar pelo Sistema de Louis Braille. Os jornais escreveram artigos sobre ele. O Governo interessou-se também pelo Sistema de leitura para cegos. Amigos foram visitá-lo contando o que acontecera. Louis começou a chorar alto, dizendo:
- "Esta é a terceira vez em minha vida que eu choro. A primeira, quando tornei-me cego. A segunda, quando ouvi falar sobre "night-writing" e agora porque sei que minha vida não foi um fracasso."
Poucos dias depois Louis Braille morre. Tinha, ao falecer, somente 43 anos de idade.

Extraído de The Story of Louis Braille

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Os pontos Braille são sementes de luz
levadas ao cérebro
pelos dedos,
para germinação do saber".
Helen Keller

Notícia

Dia 23/05/2011 a 03/06/2011

Curso Sistema Braille para profissionais da UFTM - Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Ministrantes:
Profª Clarice Martins de Fátima Morais;
Profª. Marilene Afonso;
Profº Adilsson Antonio da Silva.

Local: Edifício Urbano Salomão - Anexo da UFT¨M -  Uberaba MG


 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Orientação e Mobilidade

"Amar não significa tornar o outro adaptado,

submisso ou semelhante a nós. Amar significa libertá-lo, deixá-lo viver."

Penny Mc Lean

terça-feira, 10 de maio de 2011

A Importância da Atividade de Vida Diária na Educação e na Reabilitação de Deficientes Visuais.

I- INTRODUÇÃO.

Na educação da criança cega ou portadora de visão subnormal, cabe ressaltar a importância da Atividade de Vida Diária - AVD, cujo objetivo é proporcionar à criança condições para que, dentro de suas potencialidades, possa formar hábitos de auto-suficiência que lhe permitam participar ativamente do ambiente em que vive.
Ao nascer, a criança encontra-se num estado de dependência total, situação esta que, gradativamente, desaparece com seu crescimento e, já na fase pré-escolar, começa a alimentar-se, vestir-se, ir ao banheiro sozinha e escovar os dentes sem necessitar de ajuda ou apenas com ajuda parcial. Em relação à criança cega ou portadora de visão subnormal, como isso ocorre? Como proporcionar-lhe a satisfação de necessidades tão fundamentais? Quais os anseios e dificuldades experimentados pelos pais em tais circunstâncias? Na educação da criança cega ou de visão subnormal destacamos a Atividade de Vida Diária - AVD - como área específica de atendimento, por julgarmos indispensável ao seu ajustamento social.
Se os hábitos à mesa, a postura, a adequação para se vestir e a higiene pessoal são comportamentos adaptativos, há necessidade de um treinamento intensivo, porque a criança cega pode apresentar atitudes inadequadas em algumas dessas situações. Sem dúvida, ela, no espaço maior ou menor de tempo, acabará por realizar as mesmas tarefas que as de visão normal, tomando-se em conta, é claro, as diferenças individuais e a restrita capacidade de imitação de quem não vê. Muitos pais, diante das dificuldades de seus filhos, tornam-se superprotetores e, assim, impedem a criança de vivenciar experiências que contribuirão para sua autonomia.
É de grande importância a realização de um trabalho com os pais, paralelamente ao que é feito com seus filhos, através de encontros e/ou reuniões, oportunizando-lhes a prática das Atividades de Vida Diária, com eles desenvolvidas na escola. Enquanto professora nesta área, fiz com que os pais vivenciassem uma atividade de vida diária de olhos vendados, explicando-lhes sempre que tal circunstância não era, nem pretendia ser, representativa da cegueira, a fim de evitar que, pela associação desta com a escuridão total, desenvolvessem ou aumentassem o sentimento de piedade por seus próprios filhos.
A experiência foi proveitosa, pois eles sentiram e perceberam algumas dificuldades, medos e inseguranças de seus filhos cegos ou de visão subnormal e, assim, encontraram a melhor maneira de ajudá-los e orientá-los em casa, nunca impedindo de realizarem algumas atividades aparentemente perigosas para quem enxerga mas, ao contrário, motivando-os sempre, contribuindo assim, cada vez mais, para sua independência e conscientizando-se de que, também, são elementos importantíssimos no processo de aprendizagem de seus filhos.

E a situação do indivíduo portador de deficiência visual adquirida na idade adulta?

Por vezes, a perda da visão é gradativa, dando condições a que o indivíduo, aos poucos, processe a sua readaptação. No entanto, não são raros os casos de cegueira súbita, por acidentes ou etiologias diversas. Como tais pessoas nada sabem sobre a cegueira, não compreendem como possam continuar a viver no mundo que eles aprenderam a construir e entender através dos olhos. A reabilitação dessas pessoas é um desafio para elas, familiares e educadores, no sentido do ajustamento à sua nova condição de vida, visando minimizar os efeitos psico-sociais causados pela perda visual.

II - ATIVIDADE DE VIDA DIÁRIA (AVD).

"Vestir meias é complicado, até para quem não tem problemas de coordenação. Mesmo que não pareça, o ato de vestir meias envolve uma série de passos. Por isso, a professora ajuda Lia colocando a meia até o calcanhar. Só falta ela dar o último puxão. Na próxima vez, a professora coloca a meia no pé e Lia precisará puxá-la até o calcanhar e depois para cima. Mais um pouco e ela já conseguirá vestir meia sozinha". (Windholz, 1988.)
A criança só aprende aquilo que vive concretamente. É importante que ela faça suas próprias descobertas através da manipulação, exploração do ambiente físico-social. Para isso podem e devem ser exploradas situações referentes à alimentação, higiene pessoal, saúde, segurança, às atividades domésticas e ao vestuário.
Assim, através do treinamento em A.V.D., a criança cega e de visão subnormal aprende, entre outras coisas: localizar os alimentos no prato; cortar alimentos; controlar a quantidade de comida do prato sem derramar; controlar a quantidade de comida no talher; servir-se à mesa; encher copos e garrafas; receber visitas; vestir-se adequadamente; cuidar de sua aparência pessoal; caminhar, sentar e gesticular de maneira adequada; prevenir-se contra acidentes e remediá-los.

II.1-ALGUMAS ATIVIDADES ESPECÍFICAS.

II.1.1-ALIMENTAÇÃO:
  • Beber líquido com auxílio de canudos;
  • Ingerir alimentos pastosos (sopa, mingau);
  • Morder e mastigar biscoitos;
  • Mastigar pão;
  • Descascar e mastigar bananas;
  • Beber liquídos usando o copo;
  • Espetar com o garfo alimentos e levá-los à boca;
  • Colocar em seu prato alimentos que estejam numa vasilha maior;
  • Usar a faca para passar manteiga (patê ou etc) no pão ou biscoito;
  • Alimentar-se usando garfo e faca;
  • Servir-se de líquidos contidos numa jarra ou garrafa;
  • Usar a faca para descascar e cortar frutas, legumes e pão;
  • Mastigar de boca fechada;
  • Usar o guardanapo para limpar a boca, após as refeições.
II.1.2- HIGIENE.
  • Pedir para ir ao banheiro e usar o vaso sanitário (de modo adequado);
  • Limpar-se após o uso do vaso sanitário;
  • Lavar e enxugar as mãos usando água, sabonete e toalha;
  • Lavar e enxugar o rosto;
  • Escovar os dentes;
  • Pentear os cabelos;
  • Tomar banho;
  • Trocar diariamente as roupas de baixo;
  • Cortar as unhas regularmente, com auxílio;
  • Reconhecer as roupas que estão sujas e lavá-las.
II.1.3 - VESTUÁRIO:
  • Brincar com bonecas despindo-as e vestindo-as;
  • Despir-se e vestir-se;
  • Desatar os cordões dos sapatos;
  • Tirar os sapatos e as meias;
  • Calçar meias e sapatos;
  • Identificar os seus sapatos entre vários outros pares;
  • Engraxar sapatos;
  • Manejar diversos tipos de botões ( em tamanhos grandes ) utilizados nas peças do vestuário;
  • Abrir e fechar zíper de casacos ou vestidos;
  • Abrir e fechar fivelas de seus próprios cintos;
  • Retirar e colocar blusas que entrem pelo decote, reconhecendo a parte de trás pela etiqueta que deve estar presa;
  • Guardar roupas em gavetas
  • Colocar camisas, blusas e vestidos em cabides.
II.1.4 - SAÚDE E SEGURANÇA.
  • Reconhecer a importância do médico e do dentista;
  • Reconhecer a importância dos exames de saúde e submeter-se a eles quando necessário;
  • Tomar adequadamente os remédios indicados;
  • Reconhecer alguns instrumentos médicos, como termômetro, balança etc;
  • Reconhecer e saber para que serve gaze, algodão, esparadrapo, tesoura, mercúrio cromo, água oxigenada etc;
  • Cuidar de pequenos arranhões ou ferimentos;
  • Organizar uma caixa de primeiros socorros;
  • Discar e falar ao telefone;
  • Atender sinal de chamado (campainha, telefone);
  • Subir e descer escadas com cuidado, segurando o corrimão;
  • Riscar fósforos para acender velas e fogões;
  • Saber utilizar o fogão em atividades simples, apagando-o convenientemente ao término da tarefa;
  • Ligar e desligar o rádio e a televisão.
II.1.5- ATIVIDADES DOMÉSTICAS.
  • Varrer o chão;
  • Usar a pá de lixo;
  • Colocar o lixo na lixeira;
  • Lavar o chão;
  • Limpar as mesas e as cadeiras;
  • Limpar e arrumar o armário;
  • Arrumar a cama;
  • Colocar fronha no travesseiro;
  • Lavar e passar roupas;
  • Tampar garrafas;
  • Preparar a mesa para as refeições;
  • Preparar pequenas refeições;
  • Fazer pequenas compras ( feiras e supermercados).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

  1. Apostila de Atividade de Vida Diária. Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro. Coordenação de Educação Especial. n. 5. 1985.
  2. JESUS, Elisabeth Ferreira. Atividade de Vida Diária. Apostila. Rio de Janeiro. 1994.
  3. WINDHOLF, Margarida Hofman. Passo a Passo, seu Caminho. São Paulo. EDICON. 1988.
 Elizabeth Ferreira de Jesus*.
* ELISABETH FERREIRA DE JESUS é professora e coordenadora do Programa Educacional Alternativo - PREA- do Instituto Benjamin Constant.
Disponibilizado em: 10/abril/2005.
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Evolução



O processo de Inclusão evolui gradativamente. A partir de maior interesse dos governantes e da própria sociedade a promoção de melhorias através de investimentos que beneficiam a concretização de projetos como: a capacitação de professores, a publicação de impressos por empresas públicas e privadas, investimentos na construção de novas salas, e compra de equipamentos, viabilizam a realização da sonhada Inclusão.
Por meio do esforço e da coragem da diretora Regilene Aparecida Silva de Vasconcelos da Escola Estadual “Professor Alceu Novaes”/CAP – Uberaba ao efetuar a sistematização dos atendimentos, onde inclusive já havia alunos com deficiência visual sendo alfabetizados, verifica-se grandes avanços.
Foi um passo significativo para o “projeto de inclusão”, onde os alunos gozam de maior acesso aos recursos disponibilizados pela Escola. Podemos citar, por exemplo, os computadores e a internet, e a convivência entre professores e demais alunos com ou sem deficiência.
Outros grandes passos, foram a construção do prédio do Núcleo de Produção Braille, a aquisição de mais uma impressora médio porte para agilizar a produção do livro didático. Simultaneamente ocorreram cursos para professores nas áreas de leitura e escrita Braille e Avaliação Funcional da Visão, além de outras ações.
Tudo isso, para benefício da educação.

Adilsson Antonio da Silva
Revisor de Livros em Braille
Núcleo de Produção Braille – E. E. “Professor Alceu Novaes”/CAP

Acessibilidade comunicacional da pessoa cega



A leitura liberta e possibilita exercermos nossa cidadania, pois unimos pensamento, informação e ação. Por meio dela nos tornamos cultos, informados, conhecedores da língua escrita (regras ortográficas e gramaticais) e podemos participar com maior segurança da vida em sociedade. Lendo um livro descobrimos horizontes nunca imaginados e visitados, desenvolvemos o poder imaginário, ampliamos nossa comunicação e nos capacitamos à produção escrita.
A cegueira impossibilita o contato com o mundo da palavra escrita e desencadeia a falta de informação por esse meio, influenciando negativamente na construção de conceitos e na alfabetização da pessoa cega, que por muito tempo teve que estudar e buscar sua qualificação pessoal e profissional por meio da oralidade e da boa vontade de outras pessoas que enxergavam. O acesso ao material em Braille pode vir a assegurar uma melhor adaptação da pessoa cega no contexto escolar, sendo uma possibilidade de independência na aquisição do conhecimento.
Lemos (1999) afirma que “a experiência da leitura visual ou tátil não pode ser substituída pela audição de textos lidos por outra pessoa. Estar apto a escrever os seus pensamentos, em tinta ou em Braille, possibilita à mente humana ter um espelho à sua frente”.
A criação do sistema Braille em 1825 demonstra que a necessidade de oferecer instrumentos de comunicação para os cegos começou desde muito tempo. O sistema de Louis Braille conseguiu transformar a vida daqueles que passaram a expressar-se mais, tiveram maior contato com a informação, e hoje conseguem comunicar-se por meio do registro escrito.
A criação desse sistema e sua utilização universal representam um marco na garantia de acessibilidade comunicacional para as pessoas cegas no que se refere à aquisição da leitura e escrita. Consequentemente, o material impresso em Braille, no caso específico o livro, é uma grande conquista, uma vez que além de ser uma possível fonte de aprendizagem, pode garantir a participação social e cultural por intermédio da leitura.
Ainda, com a criação e expansão dos CAPs (Centro de Apoio Pedagógico) que através da produção de materiais pedagógicos (livros didáticos, textos, etc. em Braille), os alunos cegos passaram a ampliar seus horizontes tendo uma maior acessibilidade aos conteúdos trabalhados em sala de aula.
O livro é o registro escrito do que existe a nossa volta, por ele descobrimos quais são as mais recentes descobertas científicas, nos informamos sobre a história, a literatura, a matemática, a constituição, etc., e adquirimos conhecimento.
Hoje, com a revolução da internet e os avanços tecnológicos o acesso à cultura se tornou fácil e prático, mas não podemos deixar de reforçar que o material em Braille se constitui uma rica fonte de aprendizado e formação cultural e profissional da pessoa cega.

Maria Emilia Santana Azevedo Oliveira
Transcritora e adaptadora de livros em Braille
Núcleo de Produção Braille – E. E. Professor Alceu Novaes/CAP